Conferência de Abertura com Alex Primo: “Interações e mediações sociotécnicas”

O professor Alex Primo, doutor em Informática na Educação, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação  da UFRGS, realizou a conferência de abertura do SIMSOCIAL 2013, com a temática “Interações e mediações sociotécnicas”.  Alex Primo iniciou a discussão propondo uma reflexão sobre onde estamos depois de anos de discussão sobre cibercultura. Ele propõe que quando iniciamos as discussõs na área ciber, os discursos eram utópicos e revolucionários, a liberdade de expressão estaria garantida e a cultura participativa colocaria em cheque a cultura de massa.

Conferencia de abertura ALEX PRIMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Primo coloca algumas idéias propostas por Henry Jenkins no livro “A cultura da convergência”, que discorre sobre a convergência de mídias e trata da interação da indústria com o público. No livro, o debate é direcionado à industria, inclusive com uma linguagem empresarial e não para a linguagem do cidadão. Ainda sobre o livro, a resitência dos fãs à indústria – os fãs “parasitam” produtos que deveriam ser protegidos hoje é aproveitada pela indústria, que  precisa dessas intervenções para expandir seu mercado. A indústria, que já tinha sido dada como morta pelas promessas das tecnologias digitais estão reagindo. Primo então propõe a relexão: Todo o discurso revolucionario dos primeiros tempos não conseguiram atingir seus objetivos? A indústria está trazendo sua revanche? Serão novas formas mais discretas de opressão e alienação (termos tipicos da discussao  acerca dos meios de comunicação)?

Para complementar a argumentação, Alex Primo discute sobre a o jornalismo, que apresentou uma alternativa viável à acusaçao do jornalismo em função dos anunciantes. Os  grandes jornais, a exemplo do New York Times, deram a volta por cima. O jornalismo participativo não morreu, mas a ideia de que as grandes empresas acabariam também não vingou.

O que o palestrante propõe em sua fala são as controvérsias ligadas à discussao sobre cibercultura. Não a verdade, mas o  diferente e complementa  “As utopias tem energia e propõem movimentos”. O choque das utopias com o capital midiatico permeia a fala, sem querer das respostas.

Na década de 70, 80 e 90, a comunicação estava necessariamente ligada ao capital. Havia sempre a necessidade do investimento, a liberdade  de expressão existia somente para os detentores dos veículos de comunicação. As alternativa da época – fanzine, radios em poste etc. só tinham alcançavam quem estava próximo geograficamente. E com o desenvolvimento tecnológico, essa questão foi realmente superada e exemplifica: “Eu uso o mesmo youtube de um grande jornal”. Se antes dependíamos de alguns lideres e as manifestações eram vulneráveis, podiam ser caladas, hoje as manifestações nao tem líderes com nomes (defesa do anonimato).

E coloca questões na comunicação atual como colaboração e afeto. O capitalismo nao  morreu, mas há um esforço de outro tipo de capitalismo, modificado dele mesmo, uma espécie de capitalismo cognitivo, não mais com a  posse da fábrica, mas  da ideia. Encontramos hoje uma série de jogos e tensões e muita controvérsia. O próprio conceito de multidao coloca a  comunicação e afeto, diferente da massa, que era vista como homogenea e sem voz. O professor traz então o conceito de customização de massa – sua via é direcionada ao que o objeto pode permitir.

E finaliza propondo algumas questões. O que é massa? Ainda existe comunicação de massa? A propria teoria da comunicação é dificil de ser discutida porque os conceitos estão em jogo. E complementa argumentando sobre as ferramentas de aferição de interações, que promovem um deslumbre sobre a possibilidade de descobrir os padroes do comportamento humano. “Temos que tomar cuidados, da mesma forma que mapa nao é territorio, grafo não é a vida”