Conferência com Maria Cristina Ferraz: Corpo e culto à performance na tecnocultura contemporânea

A última atividade, do primeiro dia do SimSocial 2013, foi marcada pela palestra da professora Maria Cristina Franco Ferraz, do Programa de Pós-Graduação da UFRJ. Com o tema Corpo e culto à performance na tecnocultura contemporânea, a professora iniciou sua fala mostrando o antagonismo de duas imagens de velhice. A primeira encontrada no filme “Morangos Silvestres”, de Ingmar Bergman, e a segunda na imagem de Jane Fonda. Dois retratos opostos, ele visto como um velho que luta contra a morte, enquanto ela demonstra saúde e disposição. Diante destas imagens antagônicas, a professora questiona o atual imperativo ao jovem, saudável e de que maneira as tecnologias digitais estariam influenciando estes comportamentos.

Maria Cristina argumentou que as pessoas tentam dimensionar aquilo que tendem as se tornar, instigadas pelo culto a uma pele lisa, jovem e digital, em fuga às rugas que carregam uma condenação a decrepitude. A professora pontuou seu interesse pela maneira como as tecnologias, historicamente, se tornaram efeito/instrumento para as mudanças ou reconfigurações da velhice e da relação com o tempo e a morte.

A professora apresentou a relação dos temas corpo e tecnologia, abordando conceitos de Foucault e da crítica a técnica de Haidegger. Apontou estudos da área de neurociência sobre a degradação neural e como tais estimulariam a neuroplasticidade.  Trouxe também os conceitos de luta contra a finitude e o culto a performance, relacionando com o discurso de busca pelo desempenho ilimitado do corpo e da mente.

As questões de sua pesquisa levantaram uma rica discussão que circulou em temas como cyborgues, dissociação da mente e do corpo e o luto, perpassando por temas como temporalidade, fragmentação do corpo e finitude melancólica.